Árvores não são só madeira – Parte um

Partes da árvore

Partes da árvore

Pouca gente sabe, mas apesar de tudo poder ser aproveitado em uma árvore, aproximadamente 50% dela se perde na maior parte da indústria madeireira.

Quando uma madeireira qualquer vê uma árvore, logo pensa se ela é economicamente interessante, se sua madeira é nobre, se o porte e o fuste estão bons para o corte, se há demanda imediata ou futura para aquela espécie de madeira e muitas até fazem manejo para manter a regeneração natural, o que lhe garantirá mais daquela madeira no futuro, quando, inclusive, esta mesma madeira estará mais cara. Se for uma empresa com selo verde, pode inclusive vender essa madeira por um bom preço para o exterior.

Mesmo assim, quase todas as madeireiras aproveitam só o tronco, descartando de imediato os galhos e as raízes, o que já representa de cara uns 40% da árvore. No processo de fazer as lâminas de madeira, ou transformar a madeira em tábuas, mais 10% se perde em casca e outro tanto de madeira, no mínimo.

Uma empresa que vendesse as folhas e as cascas para a extração de essências e as raízes para a produção de fungos, por exemplo, ganharia mais. Uma empresa que além disso transformasse o resíduo da madeira em adubo ou em MDF aproveitaria 100% da árvore, ganharia mais, seria um exemplo e ainda pouparia a fonte de sua riqueza, a natureza.

Mesmo assim, a porcentagem de empresas que são regulamentadas e tem todas as permissões é mínima. Mesmo frente a ganhos maiores, a opção é pelo corte simples e desperdício imediato de ao menos 50% da árvore abatida.

Daí você me pergunta “por quê, se só há ganhos, as empresas preferem fazer de outra maneira?”

A resposta é simples, mas não é fácil. Em primeiro lugar, qualquer sistema novo precisa de implementação, o que pede grandes incentivos na ordem de muitos milhões de reais. Só para se ter uma idéia dos custos florestais, um bom trator custa por volta de dois milhões de reais, se desgasta em pouco mais de cinco anos em um clima úmido como o da Amazônia e você precisará de vários equipamentos neste valor para operacionalizar a exploração florestal.

Donos de madeireiras não muito ricos, mas são assim porque preferem ir no testado e comprovado do que na novidade que pouca gente usa, porque querem lucro pra já e não pra daqui a muitos anos. Boa parte da pesquisa hoje é para fazer que esse aproveitamento da árvore como um todo sai o mais barato possível, porque aí haveria mais gente utilizando esses sistemas.

Em segundo lugar, vender madeira é uma coisa, vender cascas, folhas, galhos e resíduos em geral é outra coisa, com tramites e licenças diferentes. Muita gente simplesmente não quer se dar ao trabalho.

Tais métodos mais racionais de se utilizar a madeira serão, no entanto, obrigatórios em algum momento. Mas o que você poderia fazer para acelerar isso?

Compre madeira certificada e não qualquer madeira. Vai sair mais caro a princípio, mas será mais durável. Móveis feitos de MDF são feitos de resíduos prensados a altas temperaturas e colados com colas especiais, por tanto, são de material reciclado. Não jogue fora um móvel de madeira apenas porque “está na hora de comprar um novo”, pois se o move está bom um novo não é necessário e isso só aumentaria a demanda por mais madeira. Cuide bem de seus móveis de madeira.

Mas não é só isso o que você pode fazer. O principal é votar em políticos que tenham propostas que unam empresas, o povo e a natureza em uma coisa só. Assim uma coisa leva a outra: empresas e povo desenvolvem responsabilidade e consciência social e ambiental. Nem precisa ser empresa madeireira.

E a natureza? A natureza agradece!

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