Árvores não são só madeira – Parte dois

O mesmo produto com fontes diferentes.

 

É comum olhar pra uma árvore e pensar nela apenas como madeira, mas isso é um erro. Há muito tempo que os índios e caboclos de nossa região utilizam os extrativos que existem nas árvores para tratarem doenças, afastarem insetos e como cosmético. Há um bom tempo, também, que a indústria já percebeu isso e está tirando proveito da nosso ignorância e passividade a esse respeito.

  

Tirando proveito sim, pois algo deve ser dado em troca de se explorar qualquer coisa em nossas terras. Perceba que não estou falando apenas da indústria brasileira…

  

Mas estou me adiantando. Antes de falar em aplicação de extrativos ou de sua apropriação por terceiros devo falar sobre os extrativos em si. Eles são uma classe de compostos em que se inclui grande variedade de estruturas e são classificados em vários grupos, de acordo com as suas características estruturais. Como exemplos posso citar os óleos essenciais, as resinas, os compostos fenólicos e o látex.

   

Tais extrativos geram sub-produtos de alto valor comercial que são usados por nós todos os dias sem que nem por um instante nos lembremos se sua origem vegetal.

  

Quando uma madeireira faz o corte, desperdiça ao menos 50% da árvore, descartando a possibilidade de se aproveitar esses mesmo extrativos por razões já explicadas na primeira parte de “Árvores não são só madeira”.

  

Os taninos, por exemplo, são substâncias antiinflamatórias que agem secando e desinflamando mucosas, ajuda no coágulo do sangue e que pode ser usado em tratamentos de algumas doenças. Combatem ainda os radicais livres responsável pelo envelhecimento da pele e é usado também em conservantes. Estas são substâncias antinutritivas, podendo conter a absorção de certos nutrientes.

  

E adivinha só aonde podem ser encontrados nas plantas? Em raízes, flores, frutos, folhas, cascas e na madeira.

  

A goma arábica é outro exemplo. É extraída de troncos e ramos das acácias, através de um retalho quadrado no tronco da árvore. É utilizada na base de tintas e para usos alimentícios como espessantes. Mas a casca e os ramos costumam ser igualmente descartados. Porque cortar a árvore e jogar fora 50% desta? Falta de incentivo fiscal. Falta de pesquisa. Falta de investimento. Mas tudo isso está mudando.

  

Inflamações, tétano, tumores, infecção urinária, bronquite, doenças de pele, sífilis. Estes são alguns males que, segundo a cultura popular, podem ser curados pela ação do óleo de copaíba, mas que já são pesquisados há tempos pela indústria farmacêutica e cosmética. Quando pensamos em andiroba é mais fácil lembrar do óleo do que da árvore que o produziu. A castanheira é tão protegida por lei que é fácil esquecer que se trata de uma árvore de trinta metros de altura, repleta de madeira, até porque seus frutos têm aplicações nutritivas, cosméticas, artesanais e farmacêuticas.

  

Ainda vamos precisar de madeira por muito tempo. Talvez pra sempre. Mas árvores não são só madeira e há espécies que garantem inclusive lucros maiores se mantidas de pé.

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