Enxertia

Enxertia

A enxertia é a união dos tecidos de duas plantas, geralmente de diferentes espécies, passando a formar uma planta com duas partes: o enxerto (garfo) e o porta-enxerto (cavalo). O garfo, cavaleiro ou enxerto é a parte de cima, que vai produzir os frutos da variedade desejada e o cavalo ou porta-enxerto é o sistema radicular, o qual tem como funções básicas o suporte da planta, fornecimento de água e nutrientes e a adaptação da planta às condições do solo, clima e doenças. O seu desenvolvimento é rápido, o que facilita a reconstituição de um plantio perdido por pragas.

 

A enxertia pode ser feita por vários métodos, sendo os mais comuns a encostia, a borbulhia, a garfagem com suas variações, conforme a planta, pois cada espécie se adapta a um tipo. Tem inúmeras vantagens como, por exempo, o consílio de características várias numa só planta.

 

A garfagem é um processo de enxerto que consiste em fixar um pedaço de ramo (garfo) no caule de um outro vegetal (cavalo), de forma que o ramo se desenvolva. A garfagem difere da borbulhia por geralmente possuir mais de um garfo e porque o cavalo tem a sua parte superior decapitada.

 

Na garfagem, o enxerto é feito a aproximadamente 20 centímetros acima do nível do solo, podendo ainda ser feito abaixo dele, na raiz. A região do ramo que foi podada com a tesoura é então alisada com um canivete. Para que haja sucesso, é necessário que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do cavalo. Após a justaposição do cavalo, a região será amarrada e recoberta com um material plástico de fácil modelagem denominado mástique, que tem por finalidade proteger a parte exposta da madeira contra a ação de fungos e penetração de humidade.

 

A garfagem é geralmente praticada no Inverno, quando há repouso vegetativo nas plantas de folhas caducas. Para as plantas de folhas persistentes, pode ser feito em qualquer época do ano.

 

Após podar o cavalo e alisar o corte, é feito com o canivete uma fenda perpendicular no sentido do diâmetro, com profundidade de aproximadamente 2 centímetros. A fenda pode ser cheia ou esvaziada. O garfo deve ter o mesmo diâmetro do cavalo. Ele deve ser preparado na forma de cunha.

 

Garfagem em fenda dupla é adotado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. O método é igual ao de fenda, mas utilizam-se dois garfos, um para cada extremidade.

 

Na garfagem em meia-fenda cheia é preciso fazer uma fenda no cavalo, no sentido do raio, até atingir a medula. A fenda pode esterder-se a até cerca de 2 a 3 centímetros, no sentido do comprimento do ramo. O garfo deve ser preparado na forma de bisel e deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral.

 

A garfagem em meia-fenda esvaziada é semelhante ao método anterior, diferindo apenas por se praticar duas incisões convergentes, de modo a retirar uma cunha de madeira ao esvaziar a incisão. É o mais adequado para espécies de lenho duro.

 

Garfagem em fenda incrustada é feita como a garfagem de meia-fenda esvasiada, a única diferença é que a fenda não atinge a medula. É geralmente utilizada quando os garfos são mais finos.

 

Garfagem em fenda lateral ou garfagem lateral consiste em retirar um segmento do caule do cavalo e do enxerto a cerca de 5 centímetros, de forma que haja contato entre eles.

 

Garfagem em fenda a cavalo ou garfagem no enxerto consiste em decepar o cavalo fazendo com que ele tome forma de cunha. O enxerto é cortado e nele é feito uma fenda. Depois, faz-se a junção das partes e amarra-se o fitilho e o saco plástico. É o oposto a garfagem em fenda.

 

A garfagem inglesa simples pode ser praticado apenas se o cavalo e o cavaleiro tiverem o mesmo diâmetro. Consiste em fazer um corte em forma de bisel no cavalo e no cavaleiro e unir as partes, amarrando em seguida.

 

Garfagem inglesa complicada se parece com a inglesa simples, mas faz-se uma incisão longitudinal em ambas as partes a unir. A incisão será feita no terço inferior do garfo, se a do cavalo for feita no terço superior, para haver perfeiro encaixe entre as fendas. Esse método dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra, implicando em mais fixação.

 

A borbulhia é o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta-enxerto enraizado. A época de enxertia, para esse tipo de multiplicação, é de primavera-verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa. Os tipos de borbulhia existentes são T normal, T invertido, janela aberta, janela fechada e anelar.

 

T normal fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular; de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado segurando-se o ramo em posição invertida. Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo.

 

T invertido procede-se de modo semelhante ao tipo anterior. Difere apenas na posição normal do ramo para retirada da borbulha e no modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, bem como a amarração, é feita de baixo para cima. Esse tipo apresenta vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração de água e também por ser mais fácil manejo.

 

O T invertido é usado para casos em que o cavalo tenha grande circulação de seiva. O amarrilho é feito de baixo para cima. Este processo é o preferido pela maioria dos operadores (Pádua, 1983).

 

No tipo em janela aberta ou escudo são feitas no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de modo a liberar a região a ser ocupada pela borbulha. A borbulha é retirada do garfo praticando-se também duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo, de modo a obter um escudo idêntico à parte retirada do cavalo.

 

A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado.

 

Em janela fechada o porta-enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é obtida de maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com o convite, introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se com o amarrilho.

 

Para o tipo anelar, canutilho ou flauta faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel. No garfo, procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja contato entre as camadas cambiais. A seguir, amarra-se.

 

Quando as plantas não reagem bem às outras técnicas de enxertia, pode-se usar a encostia. Depois de se fazer uma incisão em ambas as plantas e “encostar” o tecido descascado um no outro, ocorre a troca de seiva e a união dos vegetais. Posteriormente, uma das plantas deve ser descartada através de cortes progressivos.

 

Para ativar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constado o seu pegamento, faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, devido à curvatura, tende a reduzir a sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, aumentando seu vigor. Em algumas espécies consegue-se adiantar o desenvolvimento de dois a três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamentos, praticados na região abaixo dele.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: