Igarapés sofrem assoreamento

Postado em Água com as tags , , em 11/11/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

assorear

 

A postagem anterior à essa era sobre lixo. pior que a população não ligar pro lixo são as autoridades fingirem que limpam para sujar outro igarapé.

 

Para quem não é de Manaus: igarapé é como chamamos rios. Rio pra gente, só os enormes, como o Negro.

 

Essa matéria saiu no dia 10/11/09 em A Crítica, jornal de maior circulação do Amazonas.

 

Igarapés sofrem assoreamento

Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA

O despejo de resíduos retirados do igarapé do Franco, na Compensa, em uma área ambiental do Tarumã, ambos na Zona Oeste, está acabando com as nascentes de igarapés localizados entre a estrada da praia Dourada e alguns condomínios da estrada do Cetur.

A denúncia vem dos moradores dos conjuntos. “Estão extraindo resíduos de um igarapé para destruir outro. Se alguém quer saber como um igarapé ‘morre’ deve vir aqui”, disse o biólogo Marconi Campos, morador do conjunto Morada dos Nobres, localizado próximo à área. O descarte dos resíduos faz parte das obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e são feitos pela empresa Etam, contratada pela Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf).

Ontem de manhã, a reportagem de A CRÍTICA visitou a área e comprovou o assoreamento de nascentes de pelo menos dois igarapés. Um depósito de água está praticamente coberto de barro. A vegetação também está seriamente afetada, com alguns trechos já descaracterizados. Os moradores acreditam que o local faça parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tarumã.

Crosta

A pelo menos 300 metros de distância, pode-se observar um barranco de onde escorrem as sobras dos resíduos despejados por máquinas da Etam e que se acumulam nas nascentes. Uma crosta preta, possivelmente causada por acúmulo de sedimentos, mistura-se à água dos igarapés.

Marconi Campos disse que, se as obras não forem paralisadas, as nascentes correm o risco de desaparecer. Ele conta que, independente de ações administrativas do Poder Público, pretende, junto a colegas, realizar um trabalho de recuperação do único igarapé que está razoavelmente intacto, mas que já sofre com o despejo dos resíduos. “É preciso tomar medidas de contenção e de recuperação da vegetação”, disse.

A situação não é nova. Ano passado, a Associação dos Moradores do Jardim Friburgo enviou uma denúncia à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabulidade (Semmas). O documento relata a situação de despejo de obras e pede “uma análise detalhada da área”. “Como se trata de uma encosta, poderá haver lixiviação para o igarapé e/contaminação do lenço freático”, diz. A dona de casa Naice Maguire, uma das autoras do documento, disse que o pedido de avaliação nunca foi atendido pela Semma.

http://www.acritica.com.br/content/not-detail.asp?materia_id=154044

Lixo

Postado em Ecologia com as tags , , em 04/11/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

 

Perceba a quantidade de sujeira produzida pelo mundo industrializado através destas fotos. O mais interessante é que tudo isso poderia ser reciclado, o que economizaria inclusive uma boa grana para a indústria, mas depende do consumidor começar com essa transformação. Parece até que fazemos de propósito.

 

No blog aonde estão postadas as fotos, temos explicações em inglês do que se vê. É fácil notar, entretanto, que aquilo pode ser encontrado em qualquer lugar industrializado em que a maior parte da população é pobre. Lá encontramos fotos das Filipinas, China, Índia… Não se vê o Brasil nas fotos, mas não seria difícil encontrar situação semelhante em nosso país.

 

Faça sua parte e não permita que isso continue sem controle. Ao mesmo tempo em que temos de procurar reciclar, temos ainda de evitar o desperdício, ensinar os que não são ecologicamente corretos e cobrar do Estado medidas que evitem a poluição, além de cobrar a limpeza do que já está poluído. As eleições vêm aí, seu candidato fala desse tipo de reformas?

Aspecto e impacto ambiental

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 26/10/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

Mundo protegido por mãos humanas

    

Uma forma de evitar que ocorram acidentes ambientais e de se buscar a melhoria contínua do processo, minimizando os impactos sobre o meio ambiente é a avaliação das conseqüências ou interações das atividades de determinada empresa ou indústria sobre o meio ambiente. Para que ocorra essa avaliação se faz necessário um levantamento do que chamamos de  aspectos e impactos ambientais das atividades da empresa ou indústria.

  

Aspecto ambiental é qualquer intervenção direta ou indireta das atividades e serviços de uma organização sobre o meio ambiente, quer seja adversa ou benéfica. Desta forma, aspecto ambiental são os elementos das atividades, produtos, serviços e rejeitos que pode interagir com o meio ambiente. Um aspecto ambiental significativo é um aspecto ambiental que tem ou possa a vir ter um impacto ambiental significativo. O aspecto tanto pode ser uma máquina ou equipamento quanto uma atividade executada por esta ou ainda por alguém e que produzam – ou possam produzir – algum efeito sobre o meio ambiente.

  

Impacto ambiental é toda ação ou atividade de uma organização, adversa ou não, que produz alterações em todo ou parte dos componentes do meio ambiente. Desta forma, podemos classificar os impactos ambientais em: adversos, quando trazem alguma alteração negativa para o meio; e benéficos, quando trazem alterações positivas para o meio (aqui, entenda-se “meio” como a circunvizinhança da empresa/indústria, incluindo o meio físico, biótico e social).

    

 São considerados impactos ambientais significativos àqueles que por algum motivo são considerados graves pela empresa de acordo com sua possibilidade de ocorrência, visibilidade, abrangência e/ou outros critérios que a empresa/indústria pode definir. Segundo a definição da Resolução n.º 001/86 do CONAMA, Artigo 1º, o impacto ambiental é: “…qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II – as atividades sociais e econômicas; III – a biota; IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V – a qualidade dos recursos ambientais.”

      

As ações humanas sobre o meio ambiente podem ser positivas ou negativas, dependendo da intervenção desenvolvida. A ciência e a tecnologia podem contribuir para um impacto positivo sobre a natureza de acordo com o tipo de alteração, podendo esta ser ecológica, social ou econômica.

      

Podemos ainda falar de impacto positivo ou benéfico e impacto negativo ou adverso. Quando a ação resulta na melhoria da qualidade de um fator ou parâmetro ambiental, dizemos que o impacto foi positivo e quando a ação resulta em danos à qualidade de um fator ou parâmetro ambiental consideramos o impacto negativo.

           

Como tipos de impacto temos ainda impacto direto, quando resulta de uma simples relação de causa e efeito, também chamado impacto primário ou de primeira ordem; impacto indireto, quando uma reação secundária em relação à ação ou quando é parte de uma cadeia de reações; impacto local, quando a ação afeta só o próprio local e suas imediações; impacto regional, quando o efeito se propaga por uma área e suas imediações; impacto estratégico, quando é afetado um componente ou recurso ambiental de importância coletiva ou nacional; impacto imediato, quando o efeito surge no instante em que se dá a ação; impacto a médioa e longo prazo, quando o efeito surge depois de decorrido algum tempo depois da ação; impacto temporário, quando o efeito permanece por um tempo determinado; impacto permanente, quando os efeitos não param de se manifestar dentro de um período de tempo conhecido.

Alternativas para espécies madeireiras em extinção

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 05/10/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

Móvel feito com as madeiras alternativas muirapiranga, pau-amarelo, roxinho, tatajuba, faeira e louro-faia. Autor Maurício AzeredoPouca gente sabe, mas a maior parte das espécies de árvores não têm uma aplicabilidade comercial definida, exceto, talvez, virar carvão. Isso faz com que cada uma das espécies de árvores comercialmente interessantes entre em extinção mais cedo ou mais tarde.

Um dos motivos para se estudar propriedades físicas e mecânicas da madeira, bem como os extrativos que nela se encontra, é encontrar uso apropriado para novas espécies.

No Amazonas, mais de 50 espécies diferentes são usadas nas serrarias, das quais 16 representaram 80% do volume total, sendo as espécies louro inhamui, angelim pedra, amapá, assacu e maçaranduba as principais. As indústrias de compensado e laminado usam 17 espécies onde as 5 principais são muiratinga, sumaúma, copaíba, assacu e amapá. Se você levar em consideração que existem milhares de espécies arbóreas e que a demanda por este tipo de recurso só cresce com o passar do tempo, fica claro que madeiras e extrativos alternativos são mais do que necessários e passíveis de serem usados na indústria.

O problema é que a maior parte dos consumidores quer madeiras nobres e bem reconhecidas no mercado e a indústria da madeira não quer investir em pesquisa. A indústria farmacêutica e de cosméticos já faz isso, mas não impede que se explore ferozmente o mogno, por exemplo.

E você, o que poderia fazer para ajudar? Ao encontrar madeiras alternativas ou madeiras reaproveitadas, preferir esta à madeira nobre. Coisas como o MDF são feitas a partir de madeira particularizada e tratada de tal forma que a maior parte dos insetos e fungos não se interessaria por ele. Também vale a pena cuidar bem dos móveis de madeira que você tem, reformando-os se possível. Ao simplesmente jogar fora, você cria automaticamente a necessidade de mais madeira industrializada.

Madeiras “recém-descobertas” são interessantes, têm padrões bonitos e diferentes, com cores exuberantes e geralmente são mais baratos. Dê uma chance à elas.

Borbulhia e Encostia

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 20/08/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

Borbulhia

Borbulhia

  

Consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta-enxerto enraizado. A enxertia deve ser feita entre primavera e verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa, ou de acordo com a espécie. No Amazonas, por exemplo, só há basicamente duas estações: a da enchente dos rios e a da vazante dos mesmos.

 

Tipos de borbulhia

    

T normal fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular; de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado segurando-se o ramo em posição invertida. Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo.

 

T invertido procede-se de modo semelhante ao tipo anterior. O que muda é a posição normal do ramo para retirada da borbulha e no modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, assim como a amarração, é feita de baixo para cima. Esse tipo apresenta vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração de água e também por ser de mais fácil manejo.

 

O T invertido é usado para casos em que o cavalo tenha grande circulação de seiva. O amarrilho é feito de baixo para cima. Este processo é o preferido pela maioria dos operadores.

  

No tipo em janela aberta ou escudo são feitas no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de maneira a liberar a região a ser ocupada pela borbulha, que é retirada do garfo com duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo, obtendo-se assim um escudo idêntico à parte retirada do cavalo. A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado.

 

Em janela fechada o porta-enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é obtida de maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com o convite, introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se com o amarrilho.

 

Para o tipo anelar, canutilho ou flauta faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel. No garfo, procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja contato entre as camadas cambiais e então amarrar.

 

Forçamento do enxerto

 

Para ativar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constado o seu pegamento, faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, graças à curvatura, tende a reduzir a sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, o que aumenta seu vigor. Em algumas espécies consegue-se adiantar o desenvolvimento de dois a três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamentos, praticados na região abaixo dele.

 

Encostia

 

Quando as plantas não reagem bem às outras técnicas de enxertia, pode-se usar a encostia. Depois de se fazer uma incisão em ambas as plantas e “encostar” o tecido descascado um no outro, ocorre a troca de seiva e a união dos vegetais. Posteriormente, uma das plantas deve ser descartada através de cortes progressivos.

Enxertia

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 13/08/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

Enxertia

A enxertia é a união dos tecidos de duas plantas, geralmente de diferentes espécies, passando a formar uma planta com duas partes: o enxerto (garfo) e o porta-enxerto (cavalo). O garfo, cavaleiro ou enxerto é a parte de cima, que vai produzir os frutos da variedade desejada e o cavalo ou porta-enxerto é o sistema radicular, o qual tem como funções básicas o suporte da planta, fornecimento de água e nutrientes e a adaptação da planta às condições do solo, clima e doenças. O seu desenvolvimento é rápido, o que facilita a reconstituição de um plantio perdido por pragas.

 

A enxertia pode ser feita por vários métodos, sendo os mais comuns a encostia, a borbulhia, a garfagem com suas variações, conforme a planta, pois cada espécie se adapta a um tipo. Tem inúmeras vantagens como, por exempo, o consílio de características várias numa só planta.

 

A garfagem é um processo de enxerto que consiste em fixar um pedaço de ramo (garfo) no caule de um outro vegetal (cavalo), de forma que o ramo se desenvolva. A garfagem difere da borbulhia por geralmente possuir mais de um garfo e porque o cavalo tem a sua parte superior decapitada.

 

Na garfagem, o enxerto é feito a aproximadamente 20 centímetros acima do nível do solo, podendo ainda ser feito abaixo dele, na raiz. A região do ramo que foi podada com a tesoura é então alisada com um canivete. Para que haja sucesso, é necessário que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do cavalo. Após a justaposição do cavalo, a região será amarrada e recoberta com um material plástico de fácil modelagem denominado mástique, que tem por finalidade proteger a parte exposta da madeira contra a ação de fungos e penetração de humidade.

 

A garfagem é geralmente praticada no Inverno, quando há repouso vegetativo nas plantas de folhas caducas. Para as plantas de folhas persistentes, pode ser feito em qualquer época do ano.

 

Após podar o cavalo e alisar o corte, é feito com o canivete uma fenda perpendicular no sentido do diâmetro, com profundidade de aproximadamente 2 centímetros. A fenda pode ser cheia ou esvaziada. O garfo deve ter o mesmo diâmetro do cavalo. Ele deve ser preparado na forma de cunha.

 

Garfagem em fenda dupla é adotado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. O método é igual ao de fenda, mas utilizam-se dois garfos, um para cada extremidade.

 

Na garfagem em meia-fenda cheia é preciso fazer uma fenda no cavalo, no sentido do raio, até atingir a medula. A fenda pode esterder-se a até cerca de 2 a 3 centímetros, no sentido do comprimento do ramo. O garfo deve ser preparado na forma de bisel e deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral.

 

A garfagem em meia-fenda esvaziada é semelhante ao método anterior, diferindo apenas por se praticar duas incisões convergentes, de modo a retirar uma cunha de madeira ao esvaziar a incisão. É o mais adequado para espécies de lenho duro.

 

Garfagem em fenda incrustada é feita como a garfagem de meia-fenda esvasiada, a única diferença é que a fenda não atinge a medula. É geralmente utilizada quando os garfos são mais finos.

 

Garfagem em fenda lateral ou garfagem lateral consiste em retirar um segmento do caule do cavalo e do enxerto a cerca de 5 centímetros, de forma que haja contato entre eles.

 

Garfagem em fenda a cavalo ou garfagem no enxerto consiste em decepar o cavalo fazendo com que ele tome forma de cunha. O enxerto é cortado e nele é feito uma fenda. Depois, faz-se a junção das partes e amarra-se o fitilho e o saco plástico. É o oposto a garfagem em fenda.

 

A garfagem inglesa simples pode ser praticado apenas se o cavalo e o cavaleiro tiverem o mesmo diâmetro. Consiste em fazer um corte em forma de bisel no cavalo e no cavaleiro e unir as partes, amarrando em seguida.

 

Garfagem inglesa complicada se parece com a inglesa simples, mas faz-se uma incisão longitudinal em ambas as partes a unir. A incisão será feita no terço inferior do garfo, se a do cavalo for feita no terço superior, para haver perfeiro encaixe entre as fendas. Esse método dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra, implicando em mais fixação.

 

A borbulhia é o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta-enxerto enraizado. A época de enxertia, para esse tipo de multiplicação, é de primavera-verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa. Os tipos de borbulhia existentes são T normal, T invertido, janela aberta, janela fechada e anelar.

 

T normal fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular; de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado segurando-se o ramo em posição invertida. Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo.

 

T invertido procede-se de modo semelhante ao tipo anterior. Difere apenas na posição normal do ramo para retirada da borbulha e no modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, bem como a amarração, é feita de baixo para cima. Esse tipo apresenta vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração de água e também por ser mais fácil manejo.

 

O T invertido é usado para casos em que o cavalo tenha grande circulação de seiva. O amarrilho é feito de baixo para cima. Este processo é o preferido pela maioria dos operadores (Pádua, 1983).

 

No tipo em janela aberta ou escudo são feitas no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de modo a liberar a região a ser ocupada pela borbulha. A borbulha é retirada do garfo praticando-se também duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo, de modo a obter um escudo idêntico à parte retirada do cavalo.

 

A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado.

 

Em janela fechada o porta-enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é obtida de maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com o convite, introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se com o amarrilho.

 

Para o tipo anelar, canutilho ou flauta faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel. No garfo, procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja contato entre as camadas cambiais. A seguir, amarra-se.

 

Quando as plantas não reagem bem às outras técnicas de enxertia, pode-se usar a encostia. Depois de se fazer uma incisão em ambas as plantas e “encostar” o tecido descascado um no outro, ocorre a troca de seiva e a união dos vegetais. Posteriormente, uma das plantas deve ser descartada através de cortes progressivos.

 

Para ativar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constado o seu pegamento, faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, devido à curvatura, tende a reduzir a sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, aumentando seu vigor. Em algumas espécies consegue-se adiantar o desenvolvimento de dois a três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamentos, praticados na região abaixo dele.

Estaquia

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 11/08/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

Mudas propagadas por estaquia em biofábrica. Uruçuca BA.

Trata-se do plantio de pequenas estacas de caule, raízes ou folhas, que uma vez plantados em um meio úmido se desenvolvem em novas plantas. Para que o novo vegetal se desenvolva, é necessário que se formem raízes nessas estacas. Melhores resultados são alcançados utilizando-se hormônios vegetais, tais como o ácido indol-acético e o ácido naftaleno-acético.

 

Este é um dos métodos de propagação de plantas mais utilizados. Muitas plantas só podem ser multiplicadas economicamente através deste método. Ou porque produzem sementes pouco férteis ou porque raramente produzem sementes.

 

Materiais e ferramentas para a estaquia

 

Ferramentas de corte: o tipo de instrumento vai depender da planta que será utilizada. Ramos lenhosos exigem tesouras de poda mais fortes. Pode-se utilizar facas, canivetes, tesouras, alicates, serras, et cetera. As lâminas devem ser muito bem afiadas e desinfetadas antes a após o uso, para evitar doenças transmissíveis.

 

Recipientes: além das embalagens desenvolvidas para este fim pode-se utilizar potes plásticos de margarina, requeijão, garrafas pet, caixinhas de leite e muitas outras embalagens que poderiam ir para o lixo. Pequenos sacos plásticos são imprescindíveis para grandes quantidades.

 

Substratos: depende da espécie a ser multiplicada. Algumas plantas epífitas exigem fibra de coco, por exemplo. Assim, é necessário estudar qual substrato se encaixa melhor para as estacas.

 

Classificação

 

Estaquia de Ponteiro são escolhidas entre os ponteiros laterais mais fortes, saudáveis e sem flores (estacas de 7-12 cm). Remove-se as folhas inferiores e coloca-se as estacas para enraizar na água ou em composto preparado na mesma hora em local quente e úmido.

 

Estacas Semilenhosas são as estacas tenras no ápice, mas firmes na base. É um método bastante utilizado para a produção de mudas arbustivas. Da mesma forma que o método anterior, escolha sempre ramos saudáveis e sem flores (estacas de 10-15 cm). A base das estacas deve ser pelo menos um pouco lenhosa. Retira-se as folhas inferiores e corta-se as folhas restantes pela metade, reduzindo a transpiração excessiva. É removido uma lasca da base e aplicado o hormônio enraizador em pó antes de plantar, colocando-se as estacas para enraizar no composto em local protegido.

 

Estacas Lenhosas são estacas produzidas de ramos já lignificados (firmes). É um método utilizado para árvores, arbustos e roseiras em geral. Da mesma forma, os ramos devem ser saudáveis e sem flores, com 15 a 30cm. Em plantas decíduas, espera-se que todas as folhas caiam antes de fazer as estacas. Em roseiras, retira-se estacas de ramos que já floresceram. Estas estacas podem ser plantadas diretamente no local definitivo, embora seu “pegamento” seja melhor em recipientes.

 

Estacas de Raiz são para plantas que guardam muitas substâncias nutritivas na raiz e tem grande poder de regeneração. Depois de desenterrar uma planta jovem com cuidado e soltar a terra em volta dela com água, para não danificar as raízes, escolhe-se algumas para estacas, que deverão ter no mínimo 5 mm de diâmetro e de 5 a 15 cm de comprimento. Faz-se um corte reto junto à base da raiz mãe e um corte oblíquo na outra ponta, colocando-se as estacas com o corte oblíquo para baixo no substrato, cobrindo-as, deixando a outra ponta à mostra para depois cobrir com 3mm de areia regando regularmente.

 

Principais problemas

 

a) variação muito grande, no sucesso do enraizamento, entre estacas de plantas diferentes;

b) ainda não existem estudos sobre o sistema radicular das plantas oriundas de estacas e nem de sua longevidade.

 

Assim, não é recomendado o uso de estaquia para instalação de plantios comerciais, mas apenas para estabelecimento de pomares clonais para produção de sementes, para conservação de material genético, ou para outros fins de pesquisa.

Reprodução Vegetativa

Postado em Engenharia Florestal com as tags , , em 04/08/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

solo2

Os vegetais, na maioria, podem se reproduzir de maneira sexuada ou assexuada, o que mais comumente chamamos de reprodução vegetativa.

 

A reprodução vegetativa pode ser conseguida com a macropropagação ou com a micropropagação. A reprodução vegetativa pela macropropagação envolve métodos convencionais, como a estaca e a enxertia enquanto que na micropropagação se utiliza a técnica da cultura de tecidos.

 

No esforço de se alcançar ganhos genéticos em espécies florestais, se faz necessário um programa de melhoramento para selecionar árvores em poucas gerações, no qual são necessários não menos de 15 a 50 anos. Um dos caminhos para alcançar rapidamente os ganhos de produtividade desejados seria pelo método vegetativo através de material clonado.

 

Destaco aqui que se alguém vai estudar ou trabalhar com uma floresta de um modo ou de outro terá de pensar como isso funcionaria economicamente, pois para pesquisas são necessários fundos monetários e quem paga por isso que um retorno, quer lucro, e não vai querer esperar 50 anos!

 

A propagação de plantas através da cultura de tecidos vem sendo realizada através do emprego das culturas de calos, órgãos, células e protoplastos. Apesar de explantes vegetativos de espécies arbóreas, geralmente, sejam de difícil crescimento e diferenciação intro, a cultura de órgãos tem sido promissora para algumas espécies arbóreas, e empregada intensamente na propagação clonal.

 

Qualquer técnica de reprodução vegetal tem vantagens e desvantagens. Claro que se vai optar pela mais indicada, barata e segura possível, mas para fazer tal escolha, ainda mais se levarmos em consideração a enorme quantidade de espécies arbóreas sem muita pesquisa envolvida, é necessário conhecer de reprodução vegetativa.

 

Nesta semana e na outra discutiremos tópicos referentes à reprodução vegetativa. Como funciona, as técnicas em si, as ferramentas, os termos, as vantagens e as desvantagens de cada uma das mais comuns. Não perca!

ISO 14001

Postado em Certificação com as tags , , em 07/07/2009 por Ricardo Augusto de Aguiar Porto

logo_iso_14001

Trata-se de uma série de normas criadas pela International Organization for Standardization que estabeleceram diretrizes acerca de gestão ambiental para empresas. A ISO é uma federação internacional que foi fundada em 1947 visando promover o desenvolvimento de normas comuns à todos os países, visando facilitar o comércio internacional.

 

Um Sistema de Gestão Ambiental com bases na ISO 14001 é uma ferramenta de gestão que cria a possibilidade para uma organização de qualquer dimensão ou tipo controlar seu impacto sobre o ambiente. O Sistema de Gestão Ambiental libera a possibilidade de se estabelecer objetivos e os meios para demonstrar que foram atingidos. Em linguagem simples: é aquilo que a organização faz para minimizar ou eliminar os efeitos negativos provocados no ambiente por suas atividades.

 

O objetivo principal da ISO 14001 é a identificação de aspectos e impactos ambientais, assim como a elaboração de um programa para reduzir esses impactos. Por meio de controles, metas e monitoramento a organização começa a reduzir ou eliminar seus impactos ambientais.

 

Setores como o automotivo e o petroquímico estão exigindo a certificação de seus fornecedores. Uma vez que isso se torna uma tendência, essa norma será critério para a maioria dos clientes na compra de produtos e serviços.

  

Supõe-se que a gênese da série ISO 14000 aconteceu em Estocolmo no ano de 1972 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano. Tempos depois, no relatório da Comissão Brundtland de 1987, conhecida pelo slogan “O Nosso Futuro Comum”, é feito um apelo à indústria para que desenvolvessem sistemas de gestão ambiental efetivos.

  

Nos anos 90 a ISO viu a necessidade de desenvolver normas que tratassem da questão ambiental com o intuito de padronizar os processos de empresas que utilizassem recursos retirados da natureza, causando ou não algum dano ambiental com suas atividades.

  

Em 1993 é criado pela ISO o Comitê Técnico TC 207 com o objetivo de desenvolver normas internacionais em matéria de ambiente. Em 1996 é publicada a ISO 14001, inspirada na norma inglesa BS 7750. O comitê foi dividido em vários subcomitês: Subcomitê 1, que desenvolveu norma relativa aos sistemas de gestão ambiental; Subcomitê 2, desenvolveu normas ligadas às auditorias na área de meio ambiente; Subcomitê 3, que desenvolveu as normas referentes à rotulagem ambiental; Subcomitê 4, desenvolveu normas relativas a avaliação da performance ambiental; Subcomitê 5, que desenvolveu as normas referentes à análise de ciclo de vida; Subcomitê 6, desenvolveu as normas relativas à definições e conceitos; Subcomitê 7, que desenvolveu aquelas normas referentes à integração de aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos; Subcomitê 8, desenvolveu normas relativas à comunicação ambiental; Subcomitê 9, desenvolveu as normas relativas às mudanças climáticas.

  

No ano de 2003, foi iniciada a criação da ISO 14025 relativa ao Selo Verde Tipo III que poderá ser usada como empecilho para as exportações dos produtos de países que não estejam adequados e preparados.

  

Os requisitos do sistema de gestão ambiental eram atendidos para se evitar multas e sanções até bem pouco tempo, mas isso vêm mudando com o passar do tempo. Entre as pressões para mudança que as empresas vêm sofrendo hoje em dia, pode-se destacar os custos crescentes da proteção ambiental, análises minuciosas por instituições financeiras e investidores, a regulamentação de meio único para múltiplos meios e que buscam abordagens preventivas ao invés daquelas focadas no final dos processos, de comando e controle para incentivos de mercado, percepção da globalidade do meio ambiente e exigência pelo desenvolvimento sustentável.

  

As auditorias e análises críticas ambientais não oferecem evidência suficientes para garantir que a empresa está seguindo as determinações legais e sua própria política. Assim, O sistema de gestão ambiental deve interagir com outros sistemas de gestão da empresa. Tal norma se aplica a qualquer tipo de empresa.

 

O foco da ISO 14001 é a proteção ao meio ambiente e a prevenção da poluição, equilibrada com as necessidades humanas atuais. Estabelece a criação, manutenção e melhoria do sistema de gestão ambiental, verificando se a empresa está de acordo com sua própria política ambiental e outras determinações legais, permitindo que a empresa demonstre isso para a sociedade e que a empresa possa solicitar uma certificação do sistema de gestão ambiental por um organismo certificador externo.

  

Os benefícios e resultados da ISO 14000 vêm na forma de certificados de gestão ambiental da série ISO 14000 que atestam a responsabilidade ambiental no desenvolvimento das atividades de uma dada organização. O tempo para obtenção da certificação varia naturalmente com a dimensão da empresa, a sua complexidade e os recursos afetados. Pode-se esperar uma variação de seis a vinte e quatro meses.

  

Para implantar e manter o sistema de gestão ambiental a empresa deve seguir o sistema PDCA (sigla em inglês para Planejar, Fazer, Checar e Agir). Deve-se estabelecer, implementar e manter uma política ambiental, com documentos para comprovar o processo. O controle operacional é o requisito obrigatório, mas coisas como educação dos envolvidos no processo, auditoria interna e monitoramento e medição são desejáveis. Para a obtenção e manutenção do certificado ISO 14000, a organização tem de ser submetida a auditorias periódicas, realizadas por uma empresa certificadora, credenciada e reconhecida pelos organismos nacionais e internacionais.

  

Auditorias existem para verificar o cumprimento de requisitos como a observância da legislação ambiental, o diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de cada atividade, procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir os impactos ambientais e se o pessoal está devidamente treinado e qualificado.

 

Apenas um número pequeno de empresas busca a sustentabilidade e as melhorias conseguidas são pequenas diante da demanda crescente por produtos e serviços, originadas do desenvolvimento econômico. De acordo com o relatório Planeta Vivo, desenvolvido pela WWF em 2002, a humanidade consome por volta de 20% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor sozinha.

Como Garantir a Sustentabilidade Ambiental – Parte II

Postado em Ecologia com as tags , em 06/07/2009 por Rômulo Porto

Fazer com que a aplicação de políticas garantidoras da sustentabilidade ambiental nas grandes cidades, representa uma realidade em que se leva em consideração à capacidade de reposição que o planeta tem de seus recursos e, ao mesmo tempo, manter medidas que permitam uma maior justiça social. As mudanças que já foram sentidas devem ser estimuladas e seus reflexos plenamente positivos em uma escala pequena; devem servir de exemplo para que nações e governos menores comecem a implementá-las e a sentir seus reflexos cada vez mais intensamente. Conseguir alterar as relações de consumo e educar a população para o real significado das políticas de conservação do meio ambiente pode ser a única forma de garantir a sustentabilidade ambiental de forma efetiva e com resultados em médio e longo prazo.

Fazer com que nossas populações questionem o seu modo de vida e fazê-las entender que se os recursos do planeta não tiverem “a oportunidade” de renovarem-se e de sustentarem-se sob a pressão de uma demanda constante de consumo exacerbado, a vida no planeta como a conhecemos acabará de forma dramática e somente através desse processo de conscientização poderemos garantir a sustentabilidade ambiental. O colapso das grandes cidades e os conflitos sociais e entre países serão inevitáveis e de proporções apocalípticas. Sendo os “vitoriosos” sobreviventes herdeiros de uma terra exaurida e devastada; incapaz de sustentar a vida e inútil para qualquer um de nós; ricos ou pobres.

Um dado estatístico pode corroborar muito bem essas relações problemáticas e perigosas entre populações urbanas e recursos naturais. Basta saber que para sustentar apenas um quarto da população mundial que habita nos países ricos, são necessários três quartos de todos os recursos naturais do planeta. Por essa simples constatação; pode-se perceber claramente que será impossível fornecer os recursos necessários para que todos os seres humanos possam atingir um padrão de vida razoável no ritmo de consumo atual. Somente com o desenvolvimento sustentável será possível garantir a sustentabilidade ambiental e com isso podermos reverter nossa atual situação.

PENSE NISSO.